- Foto: Arquivo BV

- Em meio aos Legionários veteranos no gabinete da Presidência da antiga Rádio Mundial, naquela época a Emissora da Boa Vontade, dr. Mário da Cruz (de óculos, à esquerda) e dr. Osmar Carvalho e Silva (à direita), que dialogam com o fundador da LBV, Alziro Zarur, destaca-se a figura jovem de José de Paiva Netto, sempre atento aos rumos da Instituição.
Na cidade do Rio de Janeiro, 56 anos atrás, em 29 de junho, dia dedicado à memória de São Pedro e de São Paulo, um jovem de 15 anos entrava, definitivamente, no caminho de dedicação à causa do Bem, convicto da tarefa de trabalhar principalmente em favor daqueles que mais sofrem, seja das dores do corpo, seja das aflições da Alma. A data não poderia ser mais auspiciosa, haja vista a notável trajetória desses apóstolos para a difusão do Cristianismo: o notável Pedro foi o primeiro em autoridade na fé nascente e aquele que realizou a primeira cura, em continuidade à missão de Jesus; e Paulo ajudou a tornar universal a Boa Nova, levando a mensagem também aos adversários do Cristo Ecumênico.
VEJA GALERIA DE FOTOSSob a inspiração desses dois missionários, José Simões de Paiva Netto, nascido a 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro, RJ, soube, desde o primeiro encontro com sua tarefa, seguir a trilha certa, sem titubear. Ao ouvir no rádio, em 1956, a pregação de Alziro Zarur (1914-1979), fundador da Legião da Boa Vontade (LBV), identificou-se com o pioneiro movimento ecumênico promovido pelo saudoso radialista, com a Cruzada de Religiões Irmanadas, e decidiu fazer parte desse Ideal.
- Foto: Daniel Trevisan

- O dirigente da LBV comanda a entusiasmada massa popular na conclusão do 32º Fórum Internacional da Juventude Ecumênica Militante da Boa Vontade de Deus, que ocorreu em 14 de julho de 2007, no Ginásio do Ibirapuera em São Paulo, SP. O tema do Fórum foi “Vencendo o preconceito por respeito e Amor às diferenças”.
Sobre seu início na LBV, Paiva Netto relembra:
“Em 1953, quando tinha 12 anos, recebi, no Rio de Janeiro, das mãos de uma bela senhora negra um opúsculo editado pela LBV. Passaram-se três anos e, certa manhã, acordei com uma forte vontade de ligar o rádio. Quando assim o fiz, escutei, na Tamoio [depois viria a Mundial], a tocante composição de Joseph Möhr (1792-1884) e Franz Grüber (1787-1863), Noite Feliz
: era 29 de junho de 1956. Intrigado, exclamei: Mãe, música de Natal em junho?! Em seguida, Zarur começou a ler a passagem do Evangelho de Jesus segundo Lucas, 2:14, na qual os Anjos anunciam o Seu Celestial Nascimento: ‘Glória a Deus nas Alturas e Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade!’. Após ouvir as dissertações dele, logo disse resoluto: Mãe, é com esse que eu vou!“
Meu coração fora despertado para este Sublime ideal. E, naquele mesmo dia, em que se homenageiam São Pedro e São Paulo, peguei minha bicicleta e fui voluntariamente às ruas pedir ajuda para a Instituição”.Para se dedicar totalmente à Obra, Paiva Netto deixou de lado a vocação para a medicina. E, desde aquele 29 de junho, passou a colaborar voluntariamente com a Instituição, realizando, mesmo a pé, campanhas para a compra da antiga
Rádio Mundial, que se tornou a
Emissora da Boa Vontade, de 1956 a 1966, e para auxiliar o Natal Permanente da Legião da Boa Vontade, que presta socorro diário ao povo.
“Quando descobri que Zarur, sendo descendente de árabes [Dona Ássima, sua mãe, era síria e o pai, Elias Zarur, libanês], e que o primeiro Embaixador da LBV era um judeu chamado Jacques Aboab, pensei: Esse homem sabe o que está fazendo. Ele não está blefando. A coisa é pra valer! (...)”.Aluno exemplar
Ainda na infância, interessava-se por livros, incentivado bastante pelo exemplo do pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000), e tinha um cuidado com o próximo, auxiliando a mãe, Idalina Cecília de Paiva (1913-1994), que era enfermeira prática, no amparo aos doentes e no acolhimento a quem batesse à porta da casa à procura de ajuda. Formou-se em uma das mais tradicionais escolas do Brasil, o Colégio Pedro II, na capital fluminense, no qual foi exemplar estudante — depois, homenageado pela instituição com o título de Aluno Eminente. Já naquele tempo, demonstrava um raro talento para a liderança.
Sucessor natural
O contato com o saudoso fundador da LBV ampliou ainda mais seu interesse pelo Ser Humano e o pendor para os cuidados com o Espírito. Também por intermédio de Zarur, o jovem Paiva Netto iniciou-se na profissão de radialista, ainda na década de 1950, e na de jornalista, em 1961. Durante largo tempo, escreveu a parte de baixo da coluna de Zarur no jornal
Gazeta de Notícias, conforme revela o próprio criador da Legião da Boa Vontade. São mais de cinco décadas de imprensa, fazendo pioneirismo na via do jornalismo solidário, que, com os anos, foi ganhando força na mídia. Daí por que naturalmente se tornou sucessor de Alziro Zarur nessa seara do Bem.
Sob o comando dele, a LBV se modernizou e se consolidou como um dos maiores movimentos humanitários do planeta. Um trabalho solidário em expansão, que já produz frutos além das fronteiras do Brasil — atualmente, a Instituição mantém bases autônomas na Argentina, no Paraguai, no Uruguai, na Bolívia, em Portugal e nos Estados Unidos. Graças ao trabalho de Paiva Netto, desde 1994, a Instituição atua em parceria com as Nações Unidas, por intermédio do Departamento de Informação Pública (DPI).
Em 1999, tornou-se a primeira organização da sociedade civil brasileira a conquistar na ONU status consultivo geral no Conselho Econômico e Social (Ecosoc); no ano seguinte, passou a integrar a Conferência das ONGs com Relações Consultivas para as Nações Unidas (Congo), em Viena, na Áustria. Em 2004, foi cofundadora do Comitê de ONGs sobre Espiritualidade, Valores e Interesses Globais nas Nações Unidas. Hoje participa de seu corpo executivo. Em 2010, a Legião da Boa Vontade dos Estados Unidos inaugurou um novo escritório de representação em Nova York.
- Foto: Cida Linares

- O educador Paiva Netto, durante uma de suas constantes vistorias ao Instituto de Educação da Legião da Boa Vontade, em São Paulo, SP. A histórica imagem foi publicada pela revista Veja, em 1994.
Educador de várias gerações
Outra característica de sua gestão foi o aumento do número de unidades da LBV com fins educativos. Em 1981, inaugurou a primeira creche da Instituição, no Rio de Janeiro, RJ, então chamada de Creche Maternal, a qual recebeu o nome de Alziro Zarur; também viabilizou Escolas e Centros Comunitários e Educacionais em todo o país, que oferecem educação infantil, ensino fundamental, médio, supletivo e EJA (Educação de Jovens e Adultos), além de cursos profissionalizantes, formação para milhares de adolescentes e adultos de comunidades de baixa renda.
Criou a Pedagogia do Afeto (para crianças de até 10 anos de idade) e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico (a partir dos 11 anos), que formam a
Pedagogia da Boa Vontade. Sua linha educacional — aplicada com sucesso nas escolas e nos programas desenvolvidos pela Instituição em todo o Brasil e no exterior — leva em conta a formação integral do Ser Humano. O método didático, vinculado ao exercício pleno da Solidariedade Planetária, fundamenta-se no preceito imortal do Cristo Ecumênico, o Seu Novo Mandamento:
“Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos” (Evangelho de Jesus segundo João, 13:34 e 35).
A proposta pedagógica da LBV possui sua própria metodologia: o MAPREI (Método de Aprendizagem por Pesquisa Racional, Emocional e Intuitiva). Trata-se de uma ferramenta de aprendizagem facilitadora do imenso desafio de formar educandos e cidadãos mais fraternos, o que não significa dizer desprovidos de senso crítico ou despreparados para enfrentar um mundo repleto de riscos e reveses, conforme postula o
educador Paiva Netto.
Proposta diferenciada de Educação, ela se utiliza da prática da pesquisa e acredita na intuição como um dos bons instrumentos capazes de conduzir o aluno a assimilar os temas apresentados em sala de aula.

- “Aqui os senhores, Irmãos operários, serão sempre bem recebidos pela porta da frente”, afirmou Paiva Netto, que entregou cestas de alimentos aos trabalhadores que construíram o prédio do ParlaMundi da LBV. Acompanhados de seus familiares, eles foram convidados pelo dirigente da Instituição a entrar primeiro no monumento dedicado ecumenicamente aos Seres Humanos e Espirituais.
O excelente resultado pode ser visto em relevantes pontos: os estabelecimentos de ensino da LBV têm evasão zero e conseguem promover um desenvolvimento satisfatório para os alunos, abrangendo o educando em sua totalidade, uma vez que ele é reconhecido como um ser espírito-biopsicossocial, ou seja, não fragmentado em suas condições intelectuais, emocionais, biológicas e espirituais. Além disso, o empenho de professores que primam pela excelência do conteúdo pedagógico, atuando com boas condições físicas para o ensino, envolvendo laboratórios de informática e de biologia, alimentação balanceada, acompanhada por nutricionistas, cuidados médicos e psicológicos, com o toque de muita dedicação e amor, ajudam para que o enorme déficit educacional do país, com a cooperação da Legião da Boa Vontade, seja vencido.
Escritor e compositor
Várias das teses defendidas por Paiva Netto podem ser vistas nas diversas obras de sua autoria, muitas das quais
best-sellers.
O autor já vendeu mais de 4,7 milhões de livros, além de escrever para importantes publicações do país e colaborar em jornais e revistas do exterior.
Compositor e produtor musical, foi aluno do professor Homero Dornelas (1901-1990), assessor do notável Villa-Lobos (1887-1959). Ao longo dos anos, os trabalhos dele receberam comentários de maestros, compositores e críticos musicais de renome, como Dorival Caymmi (1914-2008), Ricardo Cravo Albin, Francisco Mignone (1897-1986), Ricardo Averbach, José do Espírito Santo (1927-2005), Hélio Rosa e Alexander Yossifov (com quem escreveu um concerto para piano e orquestra). A obra fonográfica de Paiva Netto vendeu milhões de cópias.
Conjunto Ecumênico da LBV
Entre suas realizações, vale destacar a construção do Templo da Boa Vontade (TBV), em Brasília, DF, entregue à Humanidade em 21/10/1989. A inauguração do monumento, dedicado à Paz e à Espiritualidade Ecumênica, repercutiu em todo o planeta.
O TBV, em pouco tempo, tornou-se o monumento mais visitado da capital federal. Em seus mais de 22 anos de existência, já recebeu número superior a 20 milhões de peregrinos, segundo dados oficiais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Distrito Federal (SDET). Ao lado do Templo da Paz, Paiva Netto ergueu, também com o apoio da população, o Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica — o ParlaMundi da LBV (inaugurado no Natal de 1994) —, um fórum de debates destinado a reunir todas as criaturas e instituições do Brasil e do mundo que trabalham pela valorização do Ser Humano e de seu Espírito eterno.
Homenagem
Respeitado em todo o mundo, o dirigente da LBV conserva o mesmo espírito jovem, inovador, empreendedor, de quando entrou na LBV, visando ao crescimento de uma sociedade mais justa e solidária. Incansável, José de Paiva Netto tem suas ações firmadas no compromisso com o Povo: o de levar conhecimento, oportunidades e, acima de tudo, o auxílio para o corpo e para o Espírito.
Por isso, neste 29 de junho de 2012, as homenagens ao líder das Instituições da Boa Vontade de Deus.