
- José de Paiva Netto, escritor, jornalista e radialista. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV).*
O mundo acompanha com ansiedade o drama do povo japonês, vítima de um terremoto de magnitude 9, na sexta-feira (11/3), considerado o pior do país desde os primeiros registros, no fim do século 19, segundo o serviço geológico dos EUA. O tremor foi seguido de um tsunami com ondas de até 10 metros, que devastaram territórios no nordeste do arquipélago. Já são mais de 6.500 mortos contabilizados e 10.259 desaparecidos. Em consequência do desastre, o vazamento de radiação, como da usina de Fukushima, tornou-se o maior problema para as autoridades japonesas, deixando em alerta a população. Em Tókio, muitos enfrentam filas em estações de trem e aeroportos, tentando a todo custo se afastar da contaminação nuclear. Um quadro altamente emergencial que leva outros países a também repensarem os sistemas de segurança de suas usinas.
Nós, brasileiros, que guardamos fortes ligações com o Japão, estamos profundamente consternados com a tragédia. Endereçamos fervorosas preces pelos que faleceram e solidariedade aos familiares, muitos deles certamente com parentes que residem no Brasil.
Falamos de uma nação acostumada a enfrentar problemas decorrentes das condições geológicas severas.
Em 1987, no livro “Dialética da Boa Vontade – Reflexões e Pensamentos”, demonstrei minha admiração pela capacidade do povo japonês de superar obstáculos: É nos momentos de crise que se forjam os grandes caracteres e surgem as mais poderosas nações. Vamos ao exemplo do Japão: país isolado em algumas ilhas. Não tem petróleo. Importa a maioria dos elementos de que precisa para sobreviver. Dizem que os japoneses perderam a guerra. Eu, porém, acho que eles a ganharam, pois aí se fizeram uma nação de poderio internacional. (...) Você chama um nipônico, ou um descendente dele, e lhe dá, digamos, uma pedreira. Ali, faz surgir uma produtiva lavoura. Por quê?! Porque a luta para vencer a exiguidade territorial das suas ilhas fez com que suplantassem as restrições e, vencendo a falta de grandes áreas férteis, se tornassem insuperáveis agricultores. Isso sem falar na imponência de sua indústria... Eis por que não devemos fugir das dificuldades. Temos de enfrentá-las e transformá-las em sucesso. (...)

- Cerejeira plantada pelos alunos no Conjunto Educacional da LBV, na capital paulista, em 2008, numa homenagem aos japoneses. Ao lado, imagem recente clicada no local.
Com esse mesmo espírito de superação e o amparo de Deus, os nossos Irmãos japoneses haverão de seguir em frente, desenvolvendo tecnologias ainda mais avançadas de prevenção contra essas catástrofes naturais. Um modelo com o qual o planeta muito aprende.
Que as cerejeiras, símbolo de felicidade no Japão, como a que plantamos no conjunto educacional da LBV em São Paulo, em homenagem a tão decidido povo, floresçam em tempos melhores a todos!
SOLIDARIEDADE AOS IRMÃOS JAPONESES
Oportuna a palavra do imperador Akihito na quarta-feira, 16/3, ao pedir ao seu povo que não desista e seja solidário: “Espero, do fundo do coração, que as pessoas deem as mãos, se tratem com compaixão e consigam ultrapassar estes tempos difíceis”.
- Foto: José Gonçalo

- Ato Ecumênico reúne grande público (na foto, vista parcial) na Nave do Templo da Boa Vontade na noite desta sexta-feira, em homenagem às vitimas da tragédia do Japão
Minha saudação fraterna aos membros da Oomoto, na pessoa do ilustre professor Shigeki Maeda, e aos nobres monges Yvonete Silva Gonçalves (Shakuni Joko) e Ricardo Mário Gonçalves (Shaku Riman), da Associação Religiosa Nambei Honganji Brasil Betsuin. O casal budista gentilmente respondeu à mensagem em que prestei solidariedade ao povo japonês, a seus descendentes e familiares no Brasil: “Caríssimo Irmão e Amigo José de Paiva Netto, em nome de todos os nossos irmãos e amigos japoneses, profundamente abalados pela inenarrável tragédia que se abate sobre sua Pátria, queremos agradecer do fundo do coração vossa luminosa mensagem de conforto e solidariedade, que será devidamente repassada às pessoas e organizações afetadas que são de nosso conhecimento. Que a Luz sem Impedimentos da Sabedoria e da Compaixão Búdicas vos ilumine e guarde!”.
- Foto: Lucian Fagundes

- Ao centro, o ministro-pregador da Religião de Deus Jayme Bertolin, que conduziu o evento. Ao fundo, o professor Shigeki Maeda (E), diretor da Oomoto Internacional, seguido pelo Monge Sato (C) e o monge Ymura (D), do Templo Budista Terra Pura.
Na sexta-feira, 18/3, no Templo da Boa Vontade, em Brasília/DF, realizamos um momento ecumênico de prece dedicado às vítimas no Japão e seus entes queridos.
FOME ZERO
Paulo Medeiros, da LBV em Brasília, informa-me que, na terça-feira, 15/3, compareceu ao lançamento da coletânea “Fome Zero – Uma História Brasileira”, no Palácio do Itamaraty. A obra, em três volumes, representa simbolicamente as três refeições diárias do programa Fome Zero. Entre os seus mais de 80 autores está o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Foto: Lucian Fagundes

- A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a sra. Tereza Campello, ladeada pelos representantes da LBV Claudio Chrisostimo (E), Sidemar de Almeida (C) e Paulo Medeiros. Na foto ao lado, a coletânea que reúne diversos escritos sobre o programa Fome Zero, do governo federal.
De acordo com a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, a publicação reflete muito do que foi a estratégia Fome Zero, “que não é uma ação só do MDS. Envolveu em conjunto o governo federal. Certamente, uma das maiores ações de integração e articulação de políticas públicas. Vários ministérios participaram ativamente, e sem eles não teríamos o sucesso que foi o Fome Zero”.
Na ocasião, os representantes da LBV cumprimentaram, além da ministra Tereza Campello, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e a ministra da Cultura, Ana de Hollanda.
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*José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter). Filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central.