“Amizade é a minha Religião”
Artigo publicado no Jornal A Tribuna – Santo Ângelo/RS, Sábado e domingo, 26 e 27 de Julho de 2008.
O sentimento de amizade verdadeira, firmada na labuta diária, é fator significativo no fortalecimento das relações, para a superação dos dissabores, não somente no âmbito familiar, também no coletivo.
No Apocalipse de Jesus, 1:9, João Evangelista revela — por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo — a sua condição de “companheiro na tribulação, no reino e na perseverança”.
Há quem, ao interpretar o Livro das Profecias Finais, restrinja a sua mensagem à época do cruel Domiciano e de outros inconseqüentes que dirigiam o Império Romano. Contudo o Apocalipse do Cristo Ecumênico é uma obra para as gerações. Nas várias oportunidades em que reencarnamos na Terra, o Divino Mestre é companheiro nosso, ajudando-nos a vencer as piores provações, até que mereçamos não mais por aqui penar.
O mal na vida é restrito, ainda que muitos pensem o contrário, porque não se atrevem a ver além do horizonte material: existe algo mais do que eles teimam em não investigar, pois foge aos parâmetros na atualidade admitidos pela ciência convencional. Serão, porém, amanhã os mesmos? É evidente que o dogmatismo científico é o pior de todos. Todavia a amizade, a fraternidade, a concórdia não sofrem restrição alguma da parte de Deus. Portanto, esse espírito solidário, que o Apocalipse projetou sobre as eras, não pode ficar jugulado a uma jornada física. (...). O último livro da Bíblia não é o reino do pavor. Ele nos fala de companheirismo diante das tribulações causadas pelos nossos equívocos planetários. Eis a Mão Divina semeando excelente virtude, onde o ser humano prefere perder-se. Trata-se de uma norma do governo de Jesus.
A amizade é por demais importante para a sobrevivência dos povos. O notável poeta Alziro Zarur (1914-1979) retrata esse fato no seu magnífico
Poema da Amizade:
“Eu tenho, neste espírito de velho/ Que não compreende a vida em solidão,/ Meu particularíssimo Evangelho:/ Amizade é a minha religião./
“Nem só de feras se compõe o mundo,/ Como proclamam todos os egoístas:/ Basta verificar o amor profundo/ Que transborda nas almas dos altruístas./
“Que amizade se mostra é no perigo,/ No luto, na ruína e no sofrer:/ Porque, afinal, é fácil ser amigo/ Nas horas deliciosas de prazer.
“Estas não são teorias de um abstêmio,/ Mas de homem que enxergou, em plena vida,/ A falência do espírito boêmio/ Que se compraz na vocação suicida.
“Não sei se fui bem claro: o que ajuízo/ É que, em geral, artistas orgulhosos −/ Prosadores ou poetas geniosos −/ Fazem da sociedade um falso juízo.
“Na torre de marfim dos seus complexos,/ Que eles supõem de superioridade,/ Isolam-se de toda a Humanidade,/ Evitam dos humildes os amplexos.
“Quem pode ser amado sem amar?/ O que esses super-homens não entendem/ É que, com tanto egoísmo, eles pretendem/ A toda a massa humana desprezar.
“Não, talentosos luminares e astros/ Da vaidade infinita, que me aterra!/ Os homens podem, mesmo assim de rastros,/ Tentar trazer o paraíso à terra.
“Mas é preciso que haja em todos nós/ Um pouco de renúncia e de modéstia,/ Uma nesga, uma fímbria ou fraca réstia/ De solidariedade em nossa voz.
“É urgente que, da torre de marfim/ Em que vivem os gênios, ora desçam/ À planície e, depois, se compadeçam/ Dos pobres ‘imbecis de triste fim’.
“Cultivemos, senhores, a amizade/ Em suas santas manifestações,/ Sentindo as agonias e aflições/ Das camadas servis da sociedade!
“Por isso eu tenho − espírito de velho/ Que não compreende a vida em solidão −/ Meu particularíssimo Evangelho:/ Amizade é a minha religião”.
Sem Criador e criatura, não pode haver paraíso na Terra. É essencial, senhores, que estabeleçamos uma boa cumplicidade com Deus − segundo Aristóteles (384-322 a.C.), o motor silencioso do universo −, de maneira que possa baixar a este mundo a nova Jerusalém (Apocalipse, 21:24, 25 e 26), quando:
“24 As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da Terra lhe trarão a sua glória e a sua honra.
“25 As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque noite ali não haverá.
“26 E lhe trarão a glória e a honra das nações”.
Acreditando no Amor
Recentemente, a atriz Luciana Vendramini, ao ser entrevistada pela revista “Veja” acerca do que a motivou a produzir e estrelar uma versão brasileira do musical “Legalmente Loira”, sucesso na Broadway, revelou o que a atraiu no roteiro. Diz ela: “A peça fala sobre a amizade verdadeira. Hoje, ninguém mais dá valor a isso. Ninguém mais acredita no amor”.
Gostei desse enfoque de Luciana, pois os tempos atuais requerem grande relevância no reascender dos bons sentimentos, próprios da existência humana que queira sobreviver humanamente.