Religião não rima com intolerância (final)
A ausência de Fraternidade tem suscitado grande defasagem entre avanço material e amadurecimento moral e espiritual. Mas é sempre hora de aplacar ressentimentos. Contudo, não haverá Paz enquanto persistirem cruéis discriminações e desníveis sociais criminosos, provocados pela ganância, que, pela eficiente Educação com Espiritualidade Ecumênica, devemos combater.
PROGRESSO COM ESPIRITUALIDADE
Pela insistência na busca do progresso que menospreza o sentido da Espiritualidade, que é a relação interior das almas com seu Criador Supremo, o Ser Humano condena-se à desumanidade permanente. Tal estado de anomalia é resultante da mentalidade belicosa, que gerações vêm preferindo, por exemplo, ao Novo Mandamento de Jesus: “Amai-vos como Eu vos amei. (...) Não há maior Amor do que doar a própria Vida pelos seus amigos. (...) Assim como o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor” (Evangelho de Jesus segundo João, 13:34; 15:12, 13 e 9).
Se não optarmos por caminhos semelhantes ao d’Ele, estaremos sentenciados à realidade denunciada pelo Gandhi (1869-1948): “Olho por olho, e a Humanidade acabará cega”.
Sempre um bom termo pode surgir quando os indivíduos nele lealmente se empenham. E isso tem feito que a civilização, pelo menos o que vemos por aí como tal, milagrosamente sobreviva aos seus piores tempos de loucura. A sabedoria do Talmud dá o seu recado prático: “A Paz é para o mundo o que o fermento é para a massa”. Exato.
Há quem prefira referir-se ao espírito religioso, exaltando desvios patológicos ocorridos no transcorrer dos milênios. (De modo algum incluo nestes comentários os historiadores e analistas de bom senso.) Creio que essa conduta beligerante, que manchou de sangue a História, deva ser distanciada, por força de atos justos, de nossos corações, porquanto maiores são as razões que nos devem confraternizar do que as que servem para acirrar rancores. O ódio é arma voltada contra o peito de quem odeia. Muito oportuna, pois, esta advertência do pastor Martin Luther King Jr. (1929-1968), que não negou a própria vida aos ideais que defendeu: “Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, mas não a arte de conviver como irmãos”.
A VIRTUDE DA TEMPERANÇA
Em Reflexões da Alma, anotei que não haverá Paz duradoura enquanto prevalecerem privilégios injustificáveis, que desonram a condição humana, pela falta de Solidariedade, que deve iluminar homens e povos. Escreveu Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865): “A Paz obtida com a ponta de uma espada não passa de uma simples trégua”. Por isso, nestes milênios de “civilização”, multidões morreram sob a chacina das armas, da fome e da doença. (...) Jesus pregou e viveu a Fraternidade. Como acreditamos no Divino Chefe, temos de batalhar pelo que apresentou como solução para os tormentos que ainda afligem as nações. A temperança é virtude indispensável nessa peleja. Entretanto, diante dos desafios, não confundamos pacifismo com debilidade de caráter. Bem a propósito, estas palavras da autora Eleanor L. Doan: “Qualquer pusilânime pode louvar a Cristo, todavia é preciso ânimo forte para segui-Lo”. Não podemos também nos esquecer dos exemplos dos cristãos primitivos, mas, sim, neles buscar a vivência que precisa ser repetida neste mundo, qual seja, a da Paz: “Da multidão dos que creram, era um o coração e a alma. (...) E assim, perseguidos por todos os meios, passaram a viver em comunidade, não havendo necessitados entre eles, porque todos se socorriam, cada qual com o que possuía” (Atos dos Apóstolos de Jesus, 4:32 a 34).