
- José de Paiva Netto, Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade.
O mundo físico não mais evoluirá sem o auxílio flagrante do Mundo Espiritual. Eis o grande ensinamento que as nações aprenderão no transcurso do Terceiro Milênio.O sentido lato de cidadaniaO amadurecimento crescente de um Povo, que está descobrindo os seus direitos de cidadão, ainda que tardiamente, porquanto 217 anos após a Revolução Francesa, o fará finalmente concluir que nenhum país pode, na verdade, desenvolver seus talentos se continuar subsistindo como uma vasta senzala de senhores e escravos, ou fechar-se feito uma ostra xenófoba ou abrir-se de forma temerária, a ponto de perder sua identidade, sua soberania. A compreensão das massas ir-se-á maturando até que entendam o valor da cidadania, no sentido lato, pois não é suficiente considerar o cidadão apenas no seu contexto físico, mas também no
espiritual, pois qualquer componente dos grupos humanos é, em resumo, constituído por corpo e
Alma. Afinal, somos na origem Espírito. Eis o significado completo de cidadania, que não pode admitir tão-só o analfabetismo das letras humanas, como igualmente a ignorância dos assuntos espirituais. O desconhecimento dessa realidade sobre a qual acabamos de discorrer favorece a incrementação das ações causadoras da fome, do desemprego, do sectarismo, do frio ideal individualista, isto é, ególatra, a promoção do escárnio com os que sofrem na sociedade, porque riqueza e pobreza situam-se dentro do Ser Humano. Exteriorizá-las, ou não, depende da mentalidade e de fatores culturais (no futuro, marcadamente espirituais), que precisam ser exercitados. Essa é uma situação que não afeta unicamente o Brasil, é mundial: durante gerações foi-se oferecendo à grande parte das crianças e dos jovens pouco mais que lixo. Depois, há quem se surpreenda com o resultado obtido por tão funesta sementeira, a cultura do crime, que se compraz no conflito entre povos, ou mesmo no seio das famílias, verdadeiras guerras civis não-declaradas, da qual a mocidade é a principal vítima (Apocalipse, 8:7), a causar outras tantas em todas as classes. “
Primeira Trombeta — O primeiro Anjo tocou a trombeta, e houve saraiva e fogo de mistura com sangue, e foram atirados à terra. Foi, então, queimada a terça parte da terra, e das árvores, e também toda grama verde (a infância e a mocidade).”
Não basta levantar o vidro do carro. É suicídio desviar a atenção dos fatos.
Estamos corpo, mas somos EspíritoUrge, com presteza, mudar a mentalidade que entroniza o delito como exemplo, a exploração como meta, a apatia diante do erro como “boa” acomodação da existência, para que alcancemos uma ordem social justa, produto da ação decisiva de comunidades eficazes, fraternalmente combativas, e de um governo, seja qual for, que tenha decididamente como objetivo fazer progredir a população de seu país, antes que grande parte dela se fine, ou seja, quase isso, pela subnutrição física ou mental, pela desesperança que lhe aponta, muitas vezes como solução, a violência. Entretanto, sob qualquer pretexto, jamais devemos abrir mão do auxílio magnânimo dos amigos do etéreo supremo, daí a Revolução Mundial dos Espíritos de Luz, os quais apropriadamente chamamos de Anjos Guardiães. Aliás, na verdade, concreto é o Espírito, não querendo afirmar que o corpo, sua vestimenta, deva ser criminosamente desprezado. Ensinam os mais velhos que “saco vazio não se põe de pé”. Tenhamos, pois, o equilíbrio como objetivo. Contudo, a Alma não pode ser, de maneira alguma, menosprezada, porquanto, para argumentar, podemos dizer — estamos corpo, mas somos Espírito. A nação que compreender e administrar esta verdade empolgará e governará o mundo. A própria Ciência o proclamará. Depois de Einstein (1879-1955), onde se escondeu a matéria?
O outro lado da moedaO outro lado da moeda não é nada apreciável: o clamor do desespero acumulado durante séculos, pronto a explodir. Não é sem propósito esta meditação de Bonaparte (1769-1821): “Cada hora perdida na juventude é uma possibilidade de infortúnio na idade adulta”.
Ora, isto também se aplica às nações que nascem, crescem, tornam-se maduras, quando colherão o que houver plantado nas fases anteriores, se não souberem, mais que honrá-lo, sublimar seu patrimônio humano, social e espiritual. Eis o desafio a ser vencido no campo da Educação: o de aliar à instrução a Espiritualidade. Tenho plena certeza de que o Evangelho e o Apocalipse, longe de abomináveis fanatismos, proporcionam uma estrutura ética, psíquica e espiritual para que ocorra essa transmudação, cuja hora é chegada, mais que isso, urgentíssima.