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A suprema vocação de servir

Artigo publicado no Jornal O Estado do Paraná, em 19/8/07.


A muita gente pode parecer que o Planeta caminha para um beco sem saída. Corrobora com isso a massificação de notícias nem sempre agradáveis que a todo instante nos bombardeiam. É a realidade, mas se assimilarmos a suprema vocação de servir, termo que nos concede o status de criaturas úteis à comunidade, perceberemos novos e mais acertados horizontes. O aprendizado ganho nos apontará reais benefícios à medida que nos integrarmos no sagrado ato de estender a mão aos que precisam (Evangelho de Jesus, segundo Mateus, 10:8). Este é o sentimento que move muitos que, sacudindo de si o pessimismo, seguem em frente, acreditando e agindo por uma sociedade melhor. Gerações que nos precederam de certa forma assim atuaram, senão onde estaríamos hoje?

De que nos fala o Apocalipse?

O mundo debate-se contra um impasse, sintetizado no agora inegável aquecimento global. A “Folha de S. Paulo” informa, citando como fonte Deborah Zabarenko, da Reuters, que um grande conglomerado do ramo petrolífero financiou negação do efeito estufa e destaca: “Relatório da União dos Cientistas Responsáveis compara estratégia da companhia à usada pelas empresas do setor de tabaco”.

De que nos fala o Apocalipse a respeito do assunto? O que finalmente anuncia, analisado sem tabus e preconceitos, a não ser também as nocivas mudanças climáticas no Orbe que, sem distinção, nos acolhe? No relato dos sete flagelos, capítulo 16 do Texto Profético, isso fica bem sinalizado. As conseqüências do progresso, quando irresponsável, estão aí aos olhos de todos, não mais podendo ser escondidas. Aos governos cabe governar para os povos, antes que se tornem incontroláveis, impelidos, por exemplo, pela falta d´água, da qual se fala ser o próximo motivo das guerras.

Um quê de estadista e Espiritualidade ecumênica

Do meu livro “Apocalipse sem medo”, da Editora Elevação, no capítulo “Muro de Berlim e Mundo Espiritual III”, extraí este trecho:

A fim de haver autoridade suficiente capaz de conter sustento e trabalho às massas e indicar-lhes renovadores rumos, o religioso vigilante terá de possuir um quê de estadista, bem como o estadista de escol não poderá prescindir de Espiritualidade ecumênica, isto é, aquela verdadeiramente livre de todo sectarismo fanático. Sacerdócio, seja ele religioso, ideológico, político, filosófico, artístico, científico e assim por diante, é expandir a Fraternidade e a Solidariedade. Exaltar a dignidade humana. Para esse sentimento franco, prevalece uma grande nobreza: servir, que, no dizer do filósofo italiano Pietro Ubaldi (1886-1972), em “A Grande Síntese”, é a qualidade superior do poder: “O comando supremo é simplesmente a suprema obediência”.

Sic transit...

Tudo o mais é passageiro, como pensavam, no século XIV, Gerard Groot (1340-1384) e Tomás de Kempis (1379-1471) este, um humilde sacerdote a quem, durante muito tempo, foi atribuída a autoria exclusiva de uma das mais importantes obras da história religiosa e social do mundo: “Imitação de Cristo”. Em suas páginas, encontra-se esta admoestação, que atravessou as épocas:

“— O quam cito transit gloria mundi!Oh! quão rapidamente passa a glória deste mundo!

O velho Ernest Renan (1823-1892) estava certo: O que faz uma pátria é a Solidariedade.

E, por extensão, a Terra, a qual devemos livrar da ruína de um progredir desmiolado, gerido pelas patranhas daqueles cuja maior habilidade é mentir para as multidões, mesmo que as enfermando ou matando. Contudo, sempre há uma solução quando os Seres Humanos nela se empenham.
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