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A força da Oração (I)

Artigo publicado no Jornal O Estado do Paraná, em 5/8/7.



Dona Rosalina, Dr. Carrel e o Poder da Prece.


Constantemente me chegam cartas, bilhetes, recados daqueles que enfrentam grandes padecimentos. São mães cujos filhos morreram, pais lutando para afastar seres queridos do vício, jovens à procura de um rumo certo, gente fragilizada por um mal incurável, velhinhos abandonados por quem lhes deveria proteger a existência. E, igualmente, há o problema da “solidão acompanhada”. Talvez seja um dos fatores pelos quais algumas pessoas hoje se expõem tanto, como a dizer, apesar de toda a proclamação de sucesso que se lhes fazem: “— Hei, estou aqui! Também tenho coração!”

Uma senhora, a quem chamarei Dona Rosalina, é uma dessas criaturas sofridas que anseiam, pelo menos, por uma palavra de conforto. Não vou entrar na particularidade do seu caso. Mas posso revelar uma pequena sugestão que lhe fiz e que, segundo me relata, lhe tem servido de apoio.

Vali-me de minha própria experiência. Nas horas de dificuldade, quando parece que não há saídas para certas questões, recorro à oração e ga­nho forças para o trabalho. E não me tenho arrependido, ao seguir o lema do venerável São Bento (480-547): “Ora et labora”.

Passei-lhe então uma prece que, pela primeira vez, ouvi do saudoso mineiro de Santos Dumont Geraldo de Aquino (1912-1984). Espero que sirva a quem me honra com a atenção, se, na lide diária, estiver atravessando provações que, às vezes, não pode revelar ao maior amigo ou à mais sincera confidente. Ninguém, religioso ou ateu, se encontra livre disso.

Essa oração, desde o nome, invoca um sentido de que todos necessitamos: Caridade (Charitas, em latim), que aprimora o relacionamento das criaturas que buscam ver no semelhante algo além de um saco de carne ou fonte inesgotável de exploração. A Caridade não é cativa da acepção restritíssima a que alguns a querem condenar. Trata-se da mais elevada política. Ilumina o Espírito do cidadão. Por que perder a Esperança? Ela inflama a coragem da gente. A primeira vítima do desespero é o desesperado.

Prece de Cáritas

Deus, nosso Pai,/ que sois todo o Poder e Bondade,/ dai forças àqueles/ que passam pela provação,/ dai luz àqueles que procuram a verdade,/ ponde no coração do Homem/ a compaixão e a caridade./ Deus!/ dai ao viajor a estrela guia,/ ao aflito, a consolação,/ ao doente, o repouso./ Induzi o culpado ao arrependimento./ Dai ao Espírito a verdade,/ à criança, o guia,/ ao órfão, o pai./ Senhor! Que a Vossa Bondade/ se estenda sobre tudo o que criastes./ Piedade, Senhor,/ para aqueles que não Vos conhecem,/ esperança para aqueles que sofrem./ Que a Vossa Bondade permita/ aos espíritos consoladores/ derramarem por toda a parte a paz, a esperança, a fé!/ Oh! Deus!/ um raio, uma centelha do Vosso Amor/ pode iluminar a Terra,/ deixai-nos beber nas fontes/ dessa Bondade fecunda e infinita./ E todas as lágrimas secarão,/ todas as dores se acalmarão./ Um só coração, um só pensamento subirá até Vós,/ como um grito de reconhecimento e de Amor./ Como Moisés sobre a montanha,/ nós Vos esperamos com os braços abertos,/ Oh! Bondade,/ Oh! Beleza,/ Oh! Perfeição./ Nós queremos, de alguma sorte,/ merecer a Vossa misericórdia./ Deus!/ dai-nos força,/ ajudai o nosso progresso/ a fim de subirmos até Vós;/ dai-nos a caridade pura e a humildade;/ dai-nos a fé e a razão;/ dai-nos a simplicidade,/ Pai,/ que fará de nossas almas/ o espelho onde se refletirá/ a Vossa Divina Imagem.

(Continua)
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