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Em louvor à Paz

  • José de Paiva Netto, Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade.
Mundo em guerra, ou melhor, mundo sempre em guerra. Então, é igualmente hora de sempre falar na Paz e de lutar por ela, sem descanso, até que seja alcançada. Um dos maiores perigos que a Humanidade atravessa é a vulgarização do sofrimento. De tanto assistir a ele pela mídia, os povos podem passar a tê-lo como uma coisa corriqueira e, pior, que não é passível de ser mudada. Eis o assassínio da tranqüilidade entre as pessoas e os países quando se deixam arrastar pelo “irremediável”. Ora, tudo pode ser corrigido nesta vida.

Se, pelo massacre das notícias trágicas, as famílias se acostumarem ao absurdo, este irá tomando conta de suas existências.

Se não nos é possível evitar a Terceira Guerra Mundial, fruto da semeadura de milênios de loucuras humanas, não desejamos o remorso de não ter feito o possível e o impossível para lembrar ao mundo a Paz de Deus. Por todos os meios e modos, contrapomos há muito ao ditado latino: “Se queres a Paz, prepara-te para a guerra”, proclamando: Se queres a Paz, prepara-te para a Paz.

Do meu livro-do-bolso-de-cima Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade (1987):

Num futuro que nós, civis, religiosos e militares de bom senso, desejamos próximo, não mais se firmará a Paz sob as esteiras rolantes de tanques ou ao troar de canhões; sobre pilhas de cadáveres ou multidões de viúvas e órfãos; nem mesmo sobre grandiosas realizações de progresso material sem Deus. Isto é, sem o correspondente avanço ético, moral e espiritual. O Homem descobrirá que não é somente sexo, estômago e intelecto, jugulado ao que toma como realidade única do mundo. Há nele o Espírito eterno, que lhe fala de outras vidas e outros mundos, que procura pela Intuição ou pela Razão. A paz dos homens é, ainda hoje, a da imprevidência que dirige povos da Terra.

A Paz, a verdadeira Paz, nasce primeiro do coração limpo do Ser Humano. E só Jesus pode purificar o coração da Humanidade de todo o ódio, porque Jesus é o Senhor da Paz. E Ele próprio, como tantas vezes lembrou Alziro Zarur (1914-1979), o saudoso Fundador da Legião da Boa Vontade, afirma: "Eu sou a Árvore, vós sois os ramos; sem mim nada podereis fazer. Não se turbe o vosso coração nem se arreceie. Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo. Eu não vos deixarei órfãos. Novo Mandamento vos dou: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se vos amardes como Eu vos amei. Ninguém tem maior Amor do que este: dar a sua própria Vida pelos seus amigos". (Evangelho de Jesus, segundo João, 15: 5, 14: 1 e 18, 13: 34 e 35 e 15: 12 e 13).

Deve haver um paradigma para a Paz. Quem? Os governantes do mundo?! Logo eles que se põem a discuti-la, enquanto seus países progressivamente se armam? Não estará a Humanidade suficientemente amadurecida para ver que essa “paz” de que tanto falam é tempo para fazer mais armas e se pegarem de surpresa? Tem sido assim a história da “civilização”... "Quousque tandem, Catilina, abutere patientia nostra?" (Até quando Catilina, abusarás da nossa paciência?) Inspira a Sabedoria de Deus: Se queres a Paz, prepara-te para a Paz.

A LBV humildemente faz uma sugestão: o Planeta quer viver em Paz? Então se inspire e viva os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o Senhor da Paz, a ponto de dizer: "Minha Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o mundo não vos pode dar". (Evangelho do Cristo, segundo João, 14:27). Quer dizer: essa Paz existe, não é uma utopia. Negá-la é negar Jesus, menosprezar a civilização. Cumpre ao Ser Humano achá-la, enquanto há tempo.

A Paz de Deus pode parecer aos derrotistas algo longínquo, de tão bela... Entretanto, eliminar esse fosso depende unicamente de nós. Não será por parecer distante que devamos deixar de buscá-la. Pelo contrário, trabalhemos por ela — Já! São os grandes desafios o nosso maior amigo, pois nos impedem de desistir da Vida. Eia pois em frente, porque Deus Está Presente!

Todos estão profundamente preocupados com a brutalidade que campeia no orbe; à cata de uma solução para pelo menos diminuir a violência, que saiu dos lugares ocultos, das noites escuras e tomou as ruas, invadiu mentes e lares, veio para a luz do sol. Esquecem-se porém de que, se há violência, não é só problema dos governos, das organizações policiais, mas principalmente um desafio para todos nós, sociedade. Se ela saiu da noite escura e veio mostrar-se à luz do dia, é porque habita o íntimo das Criaturas. Existindo nas Almas e nos corações, far-se-á presente onde estiver o Ser Humano.

É preciso desativar os explosivos que perduram nos corações.

Discute-se o problema da violência no rádio, na televisão, na imprensa, e fica-se cada vez mais perplexo por não se achar a solução, apesar de tantas teses brilhantes. É que a resposta não está longe, e sim perto de nós: Deus, que não é uma ilusão. Não há efeito sem causa. Ensinou Jesus, o maior psicólogo de todos os tempos da Humanidade: "Vós sois o Templo do Deus Vivo". E o Divino Mestre sempre soube o que dizia. O Cristo pelos milênios vem pacientemente ensinando e esperando que os Seres Humanos finalmente aprendam a viver em sociedade sem violência, pancadaria, ódio, gerados pelo egoísmo. Trata-se da sociedade nascida do Seu coração, Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, firmada no Seu Novo Mandamento: "Amai-vos como Eu vos amei" (Evangelho de Jesus, segundo João, 13:34), a Lei da Solidariedade Humana e Social, sem o que jamais o mundo viverá a justiça social verdadeira, para todos.

Sem Amor, nunca conheceremos a Paz.

Conforme escrevi em Reflexões da Alma (Editora Elevação, páginas 98 e 99), a Paz desarmada nunca resultará apenas dos tratados políticos, mas também de uma profunda sublimação do espírito religioso. Como grandes feitos muitas vezes têm suas raízes em iniciativas simples, no entanto práticas e verdadeiras, de gente que, com toda a coragem, partiu da teoria para a ação, com a força da autoridade de seus atos universalmente reconhecidos, valhamo-nos deste ensinamento de Abraão Lincoln (1809-1865): “Quando pratico o Bem, sinto-me bem; quando pratico o mal, sinto-me mal. Eis a minha religião”. Ora, ninguém nunca poderá chamar o velho Abe de incréu...
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